13 GRANDES INFRAESTRUTURAS o objetivo de “munir a cidade de Lisboa de condições adequadas para enfrentar as inundações, acentuadas pelas alterações climáticas”. Com um investimento estimado em cerca de 250 milhões de euros – financiado em aproximadamente 50% pelo Banco Europeu de Investimento (BEI) – e um horizonte de execução de 15 anos, o PGDL constitui uma das mais relevantes intervenções de engenharia hidráulica urbana no país. A empreitada dos túneis foi adjudicada ao consórcio Mota-Engil / SPIE Batignolles Internacional, com o apoio de entidades como o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), o Instituto da Construção da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e o Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE). A solução atual resulta de uma evolução face ao plano de 2008, que previa intervenções dimensionadas para um período de retorno de 10 anos e que não foi implementado. A revisão de 2015 introduziu a construção de grandes túneis de drenagem e um dimensionamento orientado para a ‘chuvada do século’. PRIMEIRAS MEDIDAS COM IMPACTO NA REDE Apesar de as infraestruturas mais mediáticas – os túneis de drenagem – ainda não se encontrarem em operação, uma parte significativa das intervenções previstas no PGDL já foi executada, com impacto direto na capacidade de resposta da rede. No âmbito do controlo na origem, destacam-se as bacias de retenção e infiltração instaladas na Ameixoeira, no Alto da Ajuda e na zona da Praça de Espanha. Estas soluções permitem reduzir os caudais de ponta, amortecendo o volume de água que entra na rede durante episódios de precipitação intensa. Paralelamente à construção das grandes infraestruturas subterrâneas, o PGDL integrou um conjunto de intervenções de reabilitação e reforço da rede conceptual de drenagem, dirigidas a pontos críticos identificados no sistema existente. Entre estas, destaca-se o reforço da rede na Avenida Infante D. Henrique e na Avenida de Berlim, que incluiu a construção de um microtúnel com 320 metros de comprimento e 1,50 metros de diâmetro, bem como a reabilitação e reconstrução de caixas de desvio de caudal em quatro zonas a montante do Parque das Nações. O plano contemplou ainda a reabilitação estrutural de parte do coletor da Rua de São José, o reforço e reabilitação da drenagem na Estrada das Laranjeiras – incluindo um túnel com cerca de 150 metros de extensão e aproximadamente 2,5 metros de diâmetro –, bem como a reformulação da caixa de transição da rede de drenagem na Rua D. Duarte. A estas intervenções soma-se ainda a reformulação do coletor localizado junto ao Convento do Beato, numa lógica de modernização progressiva da rede e de correção de vulnerabilidades acumuladas. A este conjunto soma-se a atualização e digitalização do cadastro da rede de drenagem – um passo essencial para melhorar o conhecimento do sistema e suportar decisões operacionais mais eficazes. Em curso está ainda a implementação de um sistema de monitorização e aviso, que permitirá acompanhar em tempo real o comportamento da rede durante eventos pluviais. OS TÚNEIS QUE REDESENHAM A DRENAGEM DA CIDADE O elemento mais estruturante do PGDL reside, contudo, na construção dos dois túneis de drenagem, concebidos para materializar o princípio de transvase de bacias. Com um diâmetro interno de 5,5 metros e uma extensão total de cerca de seis quilómetros, estas infraestruturas subterrâneas vão estabelecer ligações entre as zonas mais elevadas da cidade, Monsanto e Chelas, e os pontos de descarga no rio Tejo, em Santa Apolónia e no Beato. O túnel Monsanto–Santa Apolónia, com aproximadamente cinco quilómetros, constitui a principal artéria Foto: João Barata/CML.
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