BO16 - EngeObras

14 GRANDES INFRAESTRUTURAS do sistema, enquanto o túnel Chelas– Beato, com cerca de um quilómetro, complementa o esquema hidráulico. O comissionamento de ambos encontra-se previsto para os invernos de 2027 e 2029, respetivamente. Segundo o enquadramento técnico do plano, estes túneis desenvolvem-se a profundidades médias entre 30 e 40 metros, permitindo atravessar a cidade sem interferir com as infraestruturas existentes. Ao longo do percurso, são integrados pontos de captação adicionais – nomeadamente em zonas como a Avenida da Liberdade, Santa Marta ou Avenida Almirante Reis – que permitem recolher e encaminhar caudais provenientes de diferentes áreas de drenagem da cidade. O sistema permite gerir grandes volumes de água durante picos de precipitação, desviando-os das zonas críticas onde tradicionalmente ocorrem inundações. TUNELADORA ‘H2OLI’, O CORAÇÃO DA ESCAVAÇÃO SUBTERRÂNEA Se os túneis constituem a espinha dorsal do PGDL, a sua execução assenta num elemento central: a tuneladora Creg/Wirth, batizada como ‘h2Oli’, que a Maquinter Portugal forneceu ao Consórcio Mota-Engil/Spie Batignolles. O equipamento foi especificamente mobilizado para a construção dos principais troços subterrâneos do sistema. Com 130 metros de comprimento, 6,4 metros de diâmetro externo, uma cabeça de corte de 70 toneladas, e um ritmo de avanço de 10 metros por dia, a tuneladora permitiu a execução contínua dos túneis, garantindo simultaneamente elevados níveis de segurança e controlo geotécnico - ao longo do traçado, foram instalados cerca de 3300 anéis de revestimento, que asseguram a estabilidade estrutural das galerias. A utilização deste tipo de equipamento, com capacidade para operar 70 metros abaixo do solo durante os trabalhos de perfuração, revelou-se determinante para minimizar interferências à superfície, num contexto urbano particularmente sensível. BENEFÍCIOS ADICIONAIS: QUALIDADE DA ÁGUA E REUTILIZAÇÃO Para além da mitigação de cheias, os túneis integram soluções que contribuem para a melhoria ambiental. As chamadas bacias antipoluição permitem captar as primeiras águas da chuva – geralmente mais contaminadas – armazenando-as temporariamente antes de serem encaminhadas para tratamento em ETAR. De acordo com o documento técnico do plano, este processo contribui para reduzir a carga poluente descarregada no rio Tejo, aumentando simultaneamente os volumes de água tratada. Adicionalmente, o sistema prevê a utilização de água reciclada para fins urbanos, como lavagem de pavimentos, rega ou combate a incêndios. Para tal, será instalada uma rede dedicada que permitirá transportar água tratada em sentido inverso ao da drenagem, armazenando-a em depósitos associados às bacias antipoluição. DESAFIOS DE EXECUÇÃO EM CONTEXTO URBANO A execução do PGDL, em particular dos túneis de drenagem, enfrentou desafios significativos, típicos de uma obra geotécnica em meio urbano. Entre as principais dificuldades identificadas pela Câmara Municipal de Lisboa destacam-se os achados arqueológicos, bem como a introdução de nova legislação relativa ao tratamento de solos, já após o início da empreitada, o que implicou ajustamentos ao longo da execução. A estes fatores somam-se os constrangimentos associados à própria complexidade da obra, nomeadamente Batizada com o nome ‘h2Oli’, a tuneladora que a Maquinter Portugal forneceu ao Consórcio Mota-Engil/Spie Batignolles revelou-se determinante para minimizar interferências à superfície, num contexto urbano particularmente sensível.

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