A feira Apex, em Maastricht, serviu de palco para a Manitou apresentar as linhas-mestras do seu novo plano estratégico 2026-2030, um roteiro que combina crescimento, inovação e sustentabilidade. O fabricante francês aproveitou ainda o encontro internacional dedicado aos equipamentos de acesso para mostrar os avanços da sua gama elétrica Oxygen, anunciar novos lançamentos e detalhar uma reorganização interna orientada para reforçar a proximidade com os clientes.
A conferência de imprensa organizada pela Manitou durante a Apex reuniu Michel Denis, presidente e CEO do Grupo; Jean Rouault, presidente da Distribuição para a Europa; e Elizabeth Ausimour, diretora de Inovação e Tecnologias. O encontro ficou inicialmente marcado pela evocação de duas figuras-chave na história da empresa: Marcel Braud e Jacqueline Himsworth, fundador e presidente do Conselho de Administração, respetivamente, falecidos recentemente. Foi igualmente anunciada a ratificação de Christopher Himsworth como novo presidente do Conselho de Administração.
Para além desta componente institucional, a apresentação permitiu conhecer a dimensão atual de um grupo que mantém um forte caráter familiar, apesar da sua elevada internacionalização. Atualmente, 84% das vendas da Manitou são realizadas fora de França, enquanto 65% das ações permanecem nas mãos da família fundadora. A empresa encerrou 2025 com receitas próximas dos 2.600 milhões de euros, apoiada numa estrutura industrial constituída por dez fábricas, uma força de trabalho de 6.100 colaboradores, uma rede de 800 distribuidores e um catálogo com mais de 400 modelos.
A estratégia de crescimento do grupo continua a assentar tanto no desenvolvimento orgânico como em operações corporativas. Entre as iniciativas mais recentes destaca-se a aquisição da divisão de robótica da empresa francesa Sitia, bem como a criação de uma joint venture que permitirá colocar em funcionamento, em breve, uma nova fábrica de baterias de lítio.
Durante a conferência de imprensa foi apresentado o novo plano estratégico 2026-2030 da Manitou. Esta folha de roteiro estrutura-se em torno de quatro grandes eixos: consolidar a liderança nos mercados de movimentação de materiais e elevação de pessoas; impulsionar a inovação, colocando a sustentabilidade e as necessidades dos clientes no centro da estratégia; reforçar a experiência do próprio cliente; e transformar a organização para a adaptar aos desafios futuros.
Os objetivos económicos associados a este plano refletem a ambição da empresa. A Manitou pretende alcançar uma faturação próxima dos 4.500 milhões de dólares em 2030, manter um EBITDA superior a 10% e elevar para 28% o peso das máquinas elétricas no total de unidades vendidas.
Para apoiar esta estratégia, o grupo implementou, desde 1 de janeiro, uma nova organização empresarial. A estrutura tradicional baseada em divisões deu lugar a um modelo centrado em três grandes regiões geográficas: Europa, América do Norte e LAPAM (América Latina, Ásia-Pacífico, África e Médio Oriente). À frente destas áreas encontram-se Jean Rouault, na Europa; Brad Boehler, na América do Norte; e Steve Ryder, na região LAPAM.
Segundo explicou a empresa, esta reorganização pretende reforçar a proximidade com os clientes e adaptar as soluções oferecidas às especificidades de cada mercado. No caso europeu, região que concentra aproximadamente 70% das vendas globais do grupo, a Manitou dispõe atualmente de 324 distribuidores e uma força de trabalho de 4.245 colaboradores. Além disso, 31% das vendas de máquinas de construção destinam-se a empresas de aluguer, um segmento que continua a ganhar peso na estratégia comercial do fabricante.
Entre os modelos mais procurados na Europa destacam-se os manipuladores telescópicos MT 1840 e MT 625, bem como as plataformas aéreas Man’Go 12 e ATJ 160.
A empresa aproveitou também a ocasião para apresentar uma radiografia dos principais mercados em que opera. No segmento das plataformas aéreas foram comercializadas, durante 2025, um total de 87.500 unidades em todo o mundo, menos 14% do que no ano anterior. Nos manipuladores telescópicos para construção, as vendas atingiram 59.300 unidades, com uma descida homóloga de 8%. Por sua vez, os empilhadores todo-o-terreno registaram um ligeiro crescimento de 0,5%, para 4.400 unidades, enquanto os empilhadores industriais encerraram o exercício com 703.000 unidades vendidas, menos 0,7%.
A transição para equipamentos de emissões zero voltou a ocupar um lugar de destaque na apresentação da Manitou. De facto, a empresa confirmou que já realizou as primeiras entregas dos seus manipuladores telescópicos elétricos MT 1440e e MT 1840e, dois modelos concebidos para combinar produtividade, redução dos custos operacionais e ausência de emissões.
Esta aposta ficou claramente refletida no próprio stand da marca na Apex, onde foram exibidas dez máquinas elétricas pertencentes à gama Oxygen, a família de produtos com a qual a Manitou pretende liderar a transição energética nos seus segmentos de atividade.
Entre as principais novidades apresentadas pela Manitou na Apex destaca-se a disponibilidade de um novo carregador rápido para as gamas elétricas, capaz de recuperar até 60% da capacidade da bateria numa hora. A empresa anunciou também o lançamento, no final do ano, de seis novos empilhadores elétricos todo-o-terreno MC e e quatro novos modelos de empilhadores elétricos semi-industriais MSI e.
A oferta elétrica será igualmente ampliada com a chegada, prevista para meados do ano, da nova plataforma de tesoura elétrica SE 1212, que oferecerá uma altura de trabalho de 12 metros. Em paralelo, a Manitou continua a reforçar o seu ecossistema digital através da atualização da sua plataforma de serviços ao cliente e do desenvolvimento de novas soluções de segurança, entre as quais um sistema de deteção de peões destinado a reduzir os riscos nos ambientes de trabalho.
Com estas iniciativas, o fabricante francês deixa claro que a eletrificação, a conectividade e a segurança serão alguns dos pilares fundamentais sobre os quais assentará o seu crescimento nos próximos anos.
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