Os dados divulgados ao longo do mês de julho na estreia da rubrica Real Estate Intelligence, promovida pela Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliário (APPII) em parceria com a Confidencial Imobiliário, revelam sinais de maior dinamismo no mercado imobiliário português, com a recuperação da procura de habitação, o aumento da atividade da construção e uma evolução positiva da nova oferta licenciada. Ao mesmo tempo, a subida dos preços de venda, das rendas e dos custos de construção demonstra que persistem fortes desafios ao nível da acessibilidade à habitação.
A produção na construção registou uma subida homóloga de 3,4% em maio, acelerando 0,4 pontos percentuais face a abril. A construção de edifícios cresceu 2,9% em termos homólogos2.
Contudo, os custos continuam a constituir um dos principais desafios à concretização de nova oferta. Os custos de construção de habitação nova aumentaram 6,9% em maio, a maior subida homóloga dos últimos três anos. O custo da mão de obra cresceu 7,5%, enquanto os preços dos materiais aumentaram 6,4% 2.
Os indicadores relativos à oferta apresentam igualmente uma evolução significativa. Em 2025 foram licenciados 48.844 novos fogos, mais 14,6% do que em 2024 e o valor mais elevado desde 2011. No mesmo ano foram licenciados 26.227 edifícios, mais 1,4% do que em 20242.
O crescimento da oferta licenciada constitui um sinal relevante de reforço da capacidade de resposta do setor, embora seja fundamental garantir que esta oferta se concretiza em habitação efetivamente disponível no mercado.
Entre janeiro e maio, os preços de venda das casas em Portugal Continental atingiram um preço médio de 3.123 €/m² 3.
A pressão sobre os preços é visível nas avaliações bancárias. Em junho, a avaliação bancária das casas aumentou 16,6% em termos homólogos, atingindo um valor mediano de 2.228 €/m² 2.
Os dados do Banco de Portugal mostram ainda o peso crescente da garantia pública no financiamento à habitação dos jovens.
No 2.º trimestre, 7.776 contratos de crédito à habitação utilizaram a garantia do Estado, correspondentes a 1.731 milhões de euros.
No total do crédito à habitação contratado por jovens até aos 35 anos, os contratos com garantia pública representaram 51,3%. Em termos do montante total contratado por este segmento, o crédito com garantia pública correspondeu a 53,5% 4.
Os dados evidenciam o peso que este mecanismo assume, possibilitando o acesso dos jovens ao financiamento para aquisição de habitação.
Fora do segmento residencial, os dados relativos ao mercado de escritórios do Porto revelam também um aumento expressivo da atividade. Entre janeiro e maio, foram absorvidos 14.360 m² de escritórios, mais 86% face ao período homólogo de 2025 5.
O conjunto dos indicadores divulgados em julho traça, assim, um cenário de recuperação da atividade e da procura, acompanhado por sinais positivos no reforço da nova oferta.
No entanto, a evolução dos preços de venda, das rendas, das avaliações bancárias e, sobretudo, dos custos de construção evidencia que o aumento da oferta continua a ser determinante para responder à procura e melhorar as condições de acesso à habitação.
Para a APPII, os dados reforçam a importância de criar condições para que a oferta licenciada se transforme efetivamente em habitação disponível, garantindo a viabilidade económica dos projetos e a capacidade do setor para responder às necessidades do país.
Referências
1. Fonte: Confidencial Imobiliário
2. Fonte: INE – Instituto Nacional de Estatística
3. Fonte: Confidencial Imobiliário
4. Fonte: Banco de Portugal
5. Fonte: PPI – Porto Prime Index

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