Informação para a Indústria de Construção Civil, Obras Públicas e setor mineiro
Retrato de um setor que retoma o crescimento apesar de todas as adversidades e da conjuntura atual. As novidades e perspetivas de futuro.

Construção: setor em expansão impulsiona a indústria de máquinas e equipamentos

13/05/2022
As perspetivas para 2022 apontavam para um crescimento acentuado do setor da construção. A realidade e a conjuntura fizeram atrasar as previsões, mas um tecido empresarial dinâmico está a fazer face a essas adversidades e a garantir que o setor continua a crescer. A procura por equipamentos de construção na Europa manteve, em 2021, uma trajetória de crescimento, que se espera continuar no mesmo caminho este ano.
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Setor da indústria de máquinas e equipamentos retoma o crescimento apesar de todas as adversidades e da conjuntura atual. Equipamentos Moviter em cenário de obra.

Segundo dados anuais divulgados pela instituição europeia Off-Highway Research sobre os mercados europeus de equipamentos de construção, a indústria de equipamentos de construção na Europa cresceu novamente em 2019, embora o aumento de 5% para 186.824 unidades vendidas tenha correspondido a uma taxa de aumento mais lenta do que a observada entre 2016-2018. A procura cresceu na maioria dos países e, em vários casos, houve um aumento acima dos volumes já historicamente altos observados em 2018.

O ano 2020, como se sabe atípico, fez travar o crescimento que se registava em anos anteriores. Conforme confirma o relatório anual de 2021 do CECE (Comité de Equipamentos de Construção Europeus), divulgado no primeiro trimestre deste ano, após um decréscimo sem precedentes nos meses de março e abril, a construção na Europa mostrou um aumento dinâmico a partir de maio. Em resultado dessa descida, em novembro de 2020, a produção atingiu 97,5% do nível pré-pandemia em fevereiro. Estima-se que, em todo o de 2020, a produção de construção na Europa tenha sofrido um declínio de 8%.

Entravamos em 2021 com uma grande incerteza em relação aos mercados, especialmente no setor da construção e obras públicas, pois ainda era também incerta a evolução que a pandemia iria seguir. E a incerteza revelou-se numa forte quebra nos volumes de negócio deste setor, mas também revelou uma grande resiliência e adaptabilidade das empresas que o constituem, o que fez finalizar o ano com indicadores de retoma.

Segundo dados divulgados no mesmo relatório, o setor da construção na Zona Euro foi duramente atingido pela pandemia, mas, ainda assim, não ao mesmo nível de outras indústrias do setor de serviços. 2021 foi um ano de recuperação em todos os mercados, especialmente em países que aplicaram medidas de contenção severas como Espanha e França. No entanto, dadas as perspetivas de negócios incertas e a fraca situação financeira, o crescimento não compensou totalmente a descida observada em 2020.

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Mini escavadora Hitachi ZX65USB-6 em operação.

2022: crescimento condicionado pelas crises e pela guerra na Ucrânia

Quando se esperava que o novo ano viesse trazer uma continuidade de crescimento de vendas e mercado no geral, atravessou-se à frente da Europa uma nova realidade. A guerra veio dificultar ainda mais o crescimento de um setor que se tinha visto já muito abalado pela crise pandémica, e consequente crise das matérias-primas. A realidade veio revelar um aumento de taxas de inflação que resulta em aumentos “descontrolados” dos preços no consumidor (matérias-primas, energia, etc.). O que, inevitavelmente, condiciona também os setores da construção, obras públicas e mineração.

Do ponto de vista da procura de mercado, a Europa deverá, ainda assim, permanecer forte em 2022, muito graças aos apoios e programas em curso nos países da União Europeia, nomeadamente planos de financiamento de recuperação derivados da pandemia, mas com as limitações decorrentes da guerra Ucrânia-Rússia. Toda a indústria, incluindo a construção em geral, mineração, pedreiras e paisagismo, reportam uma situação positiva no que diz respeito às encomendas e reservas de equipamentos.

Com a evolução e o crescimento do mercado da construção também em Portugal, surge a necessidade de fazer um retrato do setor, com particular foco no setor da maquinaria, respetivas inovações e tecnologias. Fomos perceber as suas dificuldades, balanços, projeções e novidades para o futuro.

Estado do setor aos olhos das principais marcas em Portugal

Entre os principais fornecedores de equipamentos de maquinaria para construção e obras públicas, é transversal a opinião de que 2021 foi um ano positivo em termos de vendas, apesar das circunstâncias impostas pela pandemia.

Segundo nos relata Pedro Gaspar, diretor comercial da Ascendum Máquinas: “O ano de 2021 foi francamente positivo para o setor das máquinas. Na construção civil e obras públicas, o destaque vai para a indústria dos agregados, mas o crescimento foi generalizado a outros setores de atividade”.

Para a STET, 2021 foi um ano marcado pela necessidade de gerir as expectativas. Como explica Hugo Bexiga, retail & marketing manager da STET, “trabalhámos com as incertezas próprias de um ambiente que, cautelosamente otimista, continua a lançar um cenário de oportunidades. Foram essas oportunidades que fomos capazes de abordar no curto e médio prazo”.

Acrescenta ainda que “em termos de vendas de equipamentos de construção e obras públicas, continuamos a registar um crescimento nos equipamentos de médio e grande porte, com um forte contributo do segmento das escavadoras”.

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Trator de rastos Cat D4 em operação de movimentação de terras.

Também a Moviter, empresa do grupo Movicortes, relata um balanço muito positivo de 2021. Rui Faustino, diretor comercial da Moviter, afirma até que “em 2021, apesar do contexto pandémico, registámos o melhor ano de vendas e serviços dos últimos 14 anos”.

Segundo dados facultados pela Moviter, baseados nos fabricantes que representam e nos estudos realizados pela Off-Highway Research. As mini escavadoras são o equipamento mais procurado. “Em 2021 venderam-se cerca de 700 mini escavadoras, 38,6% de todos os equipamentos vendidos em Portugal no ano passado, cerca de 1800 no total. Seguem-se as escavadoras com 30,1%, as mini pás de rodas com 11,5%, pás carregadoras de rodas (potência > 80 cv) com 5,6%, escavadoras de rodas com 3,4%, cilindros com 3,3%, pás carregadoras de rodas (potência < 80 cv) com 1,8%, mini pás de rastos com 1,4%, pavimentadoras com 1,3% e pás carregadoras articuladas compactas com 1,1%. Abaixo de 1% temos as autobetoneiras, os dumpers articulados e rígidos, as fresadoras, os crivos e as britadoras. Na gama de acessórios, destaque para os martelos hidráulicos com cerca de 400 unidades vendidas e para os equipamentos de compactação ligeira (saltitões, placas e cilindros apeados) com mais de 500 vendas registadas”, como nos explica Rui Faustino, diretor comercial da Moviter.

Transição digital: uma aspiração ou realidade?

O mercado da construção e dos equipamentos vive da adaptação dos seus clientes à digitalização e à adaptação dos processos digitais. Esta transição está a ser mais lenta do que se esperava, mas muito promovida pelos fornecedores de equipamentos e maquinaria que, cada um à sua medida, têm avançado com a digitalização dos seus processos e comunicação com o cliente.

Esta aposta reflete-se numa digitalização cada vez mais visível do setor, com um investimento crescente em novos softwares, comunicações digitais e digitalização dos próprios processos internos e de comunicação com o cliente. A avaliação que as empresas do setor fazem ao avançar com o seu processo de digitalização é também ela positiva e reflete-se, a cima de tudo, na angariação de novos clientes.

O investimento da Moviter em “marketing digital, na promoção de contactos frequentes com os seus clientes, agora também nas redes sociais, não é segredo para ninguém do setor, muito pelo contrário. Esse investimento teve início tarde, já em 2019, mas foi decisivo durante a pandemia. O número de novos clientes conquistados em resultado desse investimento surpreendeu todos na empresa. É uma aposta para reforçar nos próximos anos. A visibilidade que dá à empresa, aos seus colaboradores e às soluções Moviter é valorizada pelo nosso principal ativo, os clientes”, explica Rui Faustino.

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Unidade de britagem Metso Outotec LT200HPX.

A transição digital da Ascendum, uma das pioneiras no setor nesta matéria, estando hoje já a atingir uma fase de maturação e equilíbrio interessantes, passou pelo processo de digitalização da comunicação e marketing, com a divulgação integrada de processos internos e de interligação com os fornecedores, mas também na implementação de sistemas de conectividade nos seus equipamentos. Como acrescenta Pedro Gaspar, “hoje dispomos de um moderno ‘Uptime Center’ onde trabalhamos com enfoque na conectividade das máquinas e na monitorização contínua das frotas dos nossos clientes, com vista a minimizar eventuais paragens, assim como na maximização das produções com os menores custos”.

Também a STET assume que está “comprometida com a transição digital”, como nos diz Hugo Bexiga: “A aposta na digitalização reflete-se nos nossos processos internos, com fortes investimentos em novos softwares, processos e ferramentas, mas também nas ferramentas e soluções que apresentamos ao mercado, sempre focados em apoiar o nosso cliente na melhoria da sua rentabilidade”.

A crise de matérias-primas e uma lista de encomendas para responder

Estando a viver uma crise ao nível de matérias primas, que se tem feito sentir por todo o mundo, afetando em muito os negócios no setor da indústria de máquinas e equipamentos, quais foram as estratégias implementadas por cada distribuidor para mitigar estes efeitos?

Os distribuidores e representantes das principais marcas de equipamentos assumem, de um modo geral, que sentiram dificuldades ao nível dos equipamentos e peças, o que condicionou a disponibilidade de entrega e resposta em tempo útil, ou habitual, aos seus clientes.

A Moviter contextualiza o cenário que se tem vivido no setor, explicando que “a dificuldade dos fabricantes em responder aos níveis de procura vinha a acentuar-se desde o verão de 2020, principalmente por força da indisponibilidade dos trabalhadores infetados com Covid-19, facto que condicionou a capacidade de produção de todos os fabricantes de equipamentos, mas muito particularmente dos seus fornecedores (ao nível da produção de motores, bombas, semicondutores, rastos, pneus, transmissões, etc.)”.

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Escavadora Volvo EC950 em operação.

Rui Faustino acrescenta ainda que, na Moviter, é valorizada a disponibilidade imediata dos equipamentos, salientando que “perante as dificuldades de fornecimento de algumas marcas, agimos no sentido de reforçar e antecipar o mais possível as encomendas. Na impossibilidade de vermos satisfeitas estas pretensões num ou noutro fornecedor, uma vez que dispomos de uma gama muito diversificada de oferta para os setores da Construção, Indústria, Ambiente, Agricultura e Público, direcionámos as escolhas de acordo com as disponibilidades de cada uma das marcas. A escassez de acessórios para os equipamentos de movimentação de terras e materiais (baldes, engates rápidos, etc.) também nos obrigou a procurar alternativas e a alargar a rede de contactos”.

Como forma de mitigar os efeitos da crise de matérias-primas, a Ascendum tentou ao máximo antecipar as necessidades de equipamentos e fornecimentos dos seus clientes, destacando a dimensão da empresa como uma vantagem competitiva na mitigação desta situação. Como refere Pedro Gaspar, “neste caso, a nossa dimensão foi muito importante para o sucesso da operação em 2021, permitindo a antecipação do problema dos prazos de entrega com a encomenda de grandes quantidades de equipamentos que nos garantiu a satisfação das necessidades da grande maioria dos nossos clientes”.

Por seu lado, a STET centrou a sua estratégia de minimização dos efeitos desta crise no apoio aos seus clientes, bem como no desenho de ferramentas para potenciar a produtividade e rentabilidade das suas operações. Como salienta Hugo Bexiga, “estamos certos que, ao alargar as opções e ferramentas que apresentamos ao mercado, estamos a mitigar os impactos adversos que o nosso setor está atualmente a sentir”.

O futuro da transição energética é hoje

A Europa tem sido pioneira no processo de transição energética de equipamentos e maquinaria para construção e obras públicas. Será que as principais marcas de máquinas comercializadas em Portugal já se estão a adaptar e a adotar esta tão urgente transição?

O percurso das marcas de equipamentos e máquinas tem sido trilhado no sentido da transição para combustíveis ambientalmente sustentáveis, muito potenciada pela apertada legislação gradualmente aprovada pela União Europeia.

A Volvo Construction Equipemnt, principal marca no setor da construção comercializada pela Ascendum, apresenta como um dos seus principais valores o cuidado pelo meio ambiente. Como salienta Pedro Gaspar da Ascendum, “estes valores têm-se manifestado no pioneirismo do desenvolvimento dos motores em termos de consumos e emissões, e assim como na procura ativa de novas soluções que minimizem a pegada de carbono”. Salienta, por exemplo, o mais recente lançamento de “um Dumper autónomo e 100% elétrico e em que o aço que constitui este equipamento foi fabricado sem qualquer recurso a combustíveis fósseis”.

Destaca-se também a geração de escavadoras híbridas Volvo, nos modelos EC250E, EC300E, EC350E e EC380E que já está a ser comercializada em Portugal.

No que respeita a máquinas 100% elétricas, Pedro Gaspar acrescenta que “a Volvo Construction Equipment dispõe já de alguns modelos 100% elétricos, nomeadamente a mini escavadora ECR25 Electric e a mini pá carregadora L25 Electric”.

No mesmo sentido, as marcas que a STET representa têm igualmente vindo a iniciar o seu percurso no sentido da transição energética, através da “adoção de tecnologias cada vez mais limpas, seja ao nível dos motores, hoje menos poluentes, como também através de uma maior eletrificação dos equipamentos e utilização de materiais mais amigos do ambiente”, como detalha Hugo Bexiga da STET.

Salienta ainda que “as tecnologias ao nível dos equipamentos de construção têm evoluído bastante nos últimos anos no sentido da eletrificação. A STET, através das suas representadas, disponibiliza hoje, em algumas indústrias, uma gama de equipamentos totalmente elétricos e que atualmente marcam a diferença em aplicações com elevado impacto em termos de emissões, referimo-nos ao setor da mineração e pedreiras. Também nestas aplicações, encontramos hoje produtos que combinam a eletrificação com a tecnologia de motores alternativos de elevada eficiência, os denominados sistemas híbridos e que reduzem substancialmente a libertação de emissões nocivas para a atmosfera”.

Na opinião de Rui Faustino da Moviter, “as principais marcas estão a trabalhar no desenvolvimento de equipamentos menos poluentes, com consumos reduzidos e maior capacidade de produção. A fonte de energia elétrica parece ser a escolha da grande maioria dos fabricantes, num caminho novo com muitos desafios, mas que trará uma redução dos custos operacionais, com ganhos ao nível da disponibilidade e capacidade de produção. Manutenção simplificada, menos ruído e poluição, são outros argumentos a favor da energia elétrica”.

Reforça dizendo que “o elevado preço dos equipamentos e da eletricidade, bem como a dificuldade de acesso a fontes de energia em trabalhos mais específicos, são algumas das dificuldades que vamos encontrar”.

Hitachi, Doppstadt, Kleemann, Avant e Weber são algumas das marcas representadas pela Moviter que dispõem já de equipamentos alimentados por energia elétrica nas suas gamas.

Existe, de uma forma generalizada, uma procura cada vez maior por soluções de elevada produtividade e de eficiência ambiental em Portugal. Ainda assim, a realidade nacional, revela que a procura por equipamentos totalmente elétricos ainda é muito residual. As marcas de máquinas estão a antecipar-se ao boom da procura por parte do cliente por este tipo equipamentos, permitindo assim que tenham o seu tempo para estudar, testar e implementar a sua transição energética.

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Escavadora hidráulica Cat 395 em trabalho de pedreira.

Novidades e futuros lançamentos

Ascendum:

Como principais novidades destacam-se as Soluções Autónomas Volvo, que se espera ser uma realidade no nosso mercado muito em breve.

Moviter:

A japonesa Hitachi, lança este ano na Europa as primeiras mini escavadoras com emissões zero e a Moviter será dos primeiros importadores a confirmar algumas unidades.

A alemã Doppstadt conta com vários equipamentos elétricos na sua gama, tais como: os crivos de tambor, os crivos de eixos sem fim, ou os trituradores. Até ao final do ano teremos pré-trituradores elétricos.

A finlandesa AVANT tem um multifunções, com braço telescópico, elétrico, o modelo e6, que trabalha 4 horas de manhã, carrega durante 2 horas durante o almoço e trabalha mais 4 horas à tarde. Ideal para apoio à atividade industrial, agrícola, ou na construção. O cliente pode comprar baterias suplentes (lítio) e até um carregador rápido também da marca AVANT.

STET:

Entre as novidades esperadas, destaca-se os melhoramentos, na já muito tecnológica, nova serie de escavadoras de rastos Cat da nova geração, cada vez mais produtivas e eficientes, graças ao nível de tecnologias a bordo, reforçando a sua posição de referência na indústria. Será lançada também a nova série de Pás de Rodas Cat da nova geração, os novos modelos XE com transmissões de variação continua (CVT) melhoram a eficiência de combustível até 35% quando comparado com os modelos anteriores.

A telemetria, tecnologias de produtividade que auxiliam o cliente a realizar o seu trabalho com maior eficácia, rapidez e qualidade e principalmente a capacidade do nosso cliente estar constantemente conectado com a sua frota e com a STET, continuam a ser o principal foco de desenvolvimento e inovação para o ano 2022.

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